Nunca acreditei que a inspiração fosse um lugar.
Ela sempre me pareceu um encontro.
Às vezes acontece diante de uma paisagem. Às vezes nasce de uma melodia. E, em outras, acontece quando um personagem revela emoções que permaneciam escondidas dentro de mim.
Foi assim quando conheci Kvothe, personagem criado por Patrick Rothfuss.
Poucas vezes encontrei alguém capaz de traduzir, com tanta delicadeza, a complexidade da condição humana. Sua relação com a música, com a perda, com o amor, com o medo e com a memória me mostrou que as histórias mais inesquecíveis não são aquelas em que os personagens parecem extraordinários, mas aquelas que nos fazem reconhecer partes de nós mesmos.
Talvez seja por isso que a música também ocupe um lugar tão profundo na minha vida.
Antes mesmo de uma história ganhar forma, muitas vezes ela já existe como ritmo, silêncio ou melodia. Escrevo prestando atenção à cadência das frases, aos intervalos, às pausas. Assim como uma composição musical, acredito que uma narrativa também precisa respirar. Há momentos em que as palavras conduzem a história. Em outros, é o silêncio que diz tudo.
Existem livros que ampliam o nosso repertório. Outros ampliam a nossa humanidade.
As obras que compartilho aqui não são modelos a serem seguidos.
São companhias de viagem.
Livros que permaneceram comigo porque expandiram o meu olhar sobre a vida, sobre as pessoas e sobre a delicada arte de transformar a experiência humana em literatura.
Espero que estas leituras façam companhia a você como fizeram a mim.
E que, entre estas páginas e as minhas, você descubra histórias que permaneçam ao seu lado muito depois da última página.
Liz Andrade