Existe um momento muito curioso na vida de quem escreve.

É quando uma história deixa de pertencer à autora e começa a pertencer a quem a lê.

Talvez esse seja o instante mais bonito da literatura.

Quando imaginei a Coleção Além do Espelho, nunca pensei apenas em criar personagens ou construir enredos. O meu desejo era outro: escrever histórias que tivessem coragem de permanecer ao lado de alguém nos dias em que as palavras parecem insuficientes.

Sempre acreditei que a literatura não existe para nos oferecer respostas prontas. Ela existe para nos lembrar de que não estamos sozinhos nas perguntas que carregamos.

Por isso, quando uma leitora me diz que encontrou a própria vida nas páginas de um livro, sinto que aquelas palavras já não me pertencem. Elas encontraram o destino para o qual foram escritas.

Esse sempre foi o propósito desta coleção.

Não criar heroínas inalcançáveis.

Mas mulheres profundamente humanas.

Mulheres que amam, falham, recomeçam, resistem, se perdem e, pouco a pouco, reencontram o caminho de volta para si mesmas.

Se, em algum momento, uma dessas histórias fez você respirar mais devagar, sentir-se compreendida ou enxergar uma possibilidade onde antes existia apenas silêncio, saiba que foi exatamente para esse encontro que cada página foi escrita.

Obrigada por atravessar o espelho comigo.

Com carinho,
Liz Andrade